segunda-feira, 18 de abril de 2011

Camurupim Water Fields








Pra quem não conhece, esta é a praia de Camurupim, no litoral ao sul de Natal, um dos lugares para onde Guia Bezerra levou a gente - eu, Cecília e Bernardo - num domingão da última temporada em Natal. Levou a gente pra andar sobre as águas nessa enseada de sossego pouco além de Búzios que todo mundo conhecia, menos nós, como sempre. Vale o esforço de clicar nas fotos para ampliar os panoramas.

O mundo de Sebastião


Há uma boa notícia em meio à habitual tsunami de tragédias locais e globais que ilustram o lado pior da espécie nas primeiras e últimas páginas do jornais. Neste domingo de céu azul límpido e ar ligeiramente frio em Brasília, cai-me às mãos, implorando para ser lida com prazer que não podemos devotar ao noticiário comum, edição semanal periodicamente encartada no jornal “O Globo”. É a revista “Domingo”, com umas das belas imagens captadas por meu xará Sebastião Salgado na sua mais recente epopéia fotográfica mundão afora. Sim, é esta a notícia: aproxima-se o lançamento – previsto para abril do próximo ano no Brasil – do projeto “Gênesis”, que o fotógrafo mineiro radicada em Paris vem tocando há alguns anos, desde que encerrou o não menos ambicioso “Êxodos”.

Salgado virou o mundo em busca de imagens de um planeta comparável ao momento mítico em que foi criado por sabe-se lá exatamente qual entidade – cada qual com sua mini ou máxi ou não-crença que enquadre a criação do seu jeito. O fundamental é que o fotógrafo brasileiro aclamado por meio mundo queria mostrar lugares intocados, onde o estágio civilizatório fosse comparável àquele momento inicial – ou ao mais próximo possível dele ou mais distante das nossas atribuladas aldeias ou metrópoles globalizadas. Qualquer um que lembre do abrangente, humano, generoso e acachapante painel fotográfico que o senhor Salgado fez dos povos refugiados de meio mundo – incluindo um insert dos nossos “sem terra” num momento em que eram cultivados por uma classe média urbana bem mais tolerante que hoje em dia – imagina o resultado desde quase pronto projeto “Gênesis”. E parte do resultado está estampado nas páginas da revistinha dominical do “Globo” – um doce dos Marinhos para leitores famintos por alguma amenidade para iniciar a semana.

Tudo isso é ótimo – o deslumbramento das fotos em branco e preto, a notícia da proximidade da estréia das exposições que são a razão de ser do projeto e todo o debate que as fotos provocam. Mas a boa notícia de que se falou lá no início é algo anterior às imagens. É a conclusão a que Sebastião Salgado chegou agora que está nos finalmente do projeto: ao se guiar por um roteiro que pretendia cobrir os 46% de ecossistemas que restaram praticamente intactos no planeta, ele concluiu que o patrimônio natural restante é rico o suficiente para a gente comemorar.

Sebastião Salgado terminou sua jornada otimista. E isso não é pouco se a gente atentar para o fato de que o cidadão, testemunha ocular e fotográfica de tragédias humanas como são os dramas dos refugiados, tem muito bem a medida do que parece e é, de fato, ou não é, absolutamente, motivo para uma visão pessimista da espécie e de tudo o que ela causa ao mundo em que vivemos. Sebastião Salgado não é um intelectual macambúzio que encontra uma espécie muito sombria de prazer em não tirar a bunda da poltrona gasta na sala de casa enquanto faz discursos sobre a inviabilidade de tudo. O charme dele não é bem esse – e se alguém que rodou o quatro pontos cardeais dessa bola de gente termina sua jornada dizendo que, apesar de tudo, nem tudo está perdido, é bom a gente escutar o que esse cara tem a dizer.

É isso o que ele diz: “Se conseguirmos transmitir o que eu senti, fazer uma nova apresentação do planeta, e mostrar para as pessoas que ainda temos uma grande parte dele como no dia do Gênesis, isso será tão positivo no sentido de ajudar a preservar o que se tem, de criar uma consciência nova, uma reaproximação do homem. Tentei usar avião, helicóptero, balão, subi o máximo que podia eu mesmo a pé nas montanhas, no sentido de mostrar a riqueza desse planeta, a personalidade, a dignidade que tem a paisagem. Existe também uma dignidade no mundo vegetal, mineral. A dignidade não é só da espécie animal, nem monopólio da espécie humana. Se conseguir fazer isso, ficarei muito feliz.”

terça-feira, 12 de abril de 2011

Leia na Hamaca


"A figura de John Wayne surge como se fora uma flor de cacto no filme: ele contém toda a dor de não poder revelar o segredo à cidade - o fato de que foi ele, o homem bruto, o autor do assassinato mais esperado, e não o jornalista almofadinha a quem todos desprezavam até o momento do crime - e toda a ternura reprimida de entender tudo. É de uma superioridade o John Wayne deste filme que comove o espectador, este que priva com ele o conhecimento da verdade. Tudo inspira repulsa misturada com compaixão. Wayne vê esse panorama do alto e passa por ele com a elegância de quem não tem a menor chance de dividir com quem quer que seja sua dor. E ainda perdeu a mulher - para o jornalista almofadinha, que virou senador e acaba de retornar à cidade, dando o play para que o filme comece a desfiar esse novelo ressecado pelo tempo."

Leia o post completo clicando aqui.

O repórter e o assessor


O jornalista Ricardo Kotscho foi um dos meus faróis de juventude. Uma assinatura que sempre busquei nas páginas do Jornal do Brasil ou da Folha de S. Paulo, conforme a época e o lugar onde ele estivesse trabalhando. Um modelo, exatamente como ocorre na nossa juventude profissional, quando os anos de formação exigem que se tenham alguém ou algo como referencial do que é o caminho, das possibilidades que uma profissão pode oferecer. Um rumo, sedimentado, para além dos jornais e revistas, no livro "A Prática da Reportagem", em que Kotscho, em parceria com Gilberto Dimenstein - que já não era bem a minha praia - organizou sua, digamos, doutrina para jovens jornalistas em formação. O que diferenciava RK dos demais que assinavam suas reportagens nas edições dominicais da grande imprensa, numa época em que se pensava duas vezes antes de tacar o nome do autor do que quer fosse na página do jornal? Uma sensibilidade à parte para colocar o homem comum - seus dramas, suas conquistas, sua visão de mundo que, ao contrário do que se pensava já então, também tem muito o que acrescentar ao espírito de cada tempo - no corpo de uma reportagem. Chamavam, glosa Ricardo, de "matéria de pipoqueiro". Imagino o quanto o jornalista não foi visto com olhos tortos por colegas agarrados em informações de gabinete - e quanto mais elevado na hierarquia do poder este gabinete, maior a soberba e o desprezo pela vida brasileira lá embaixo.

Tudo isso me impressionava, talvez pelo fato de eu vir daquela vida brasileira nos andares bem inferiores da curva de nível sobre a qual se assenta, desde sempre, a nossa mui brava imprensa. Então o tempo passou, um certo Luiz vindo dessa mesma camada quase subterrânea virou presidente da República e, arrastado junto a esse movimento histórico que vai da vida nas redações da época dos militares até a ascenção do presidente-operário, lá está Ricardo Kotscho. Um assessor de imprensa das campanhas de Lula, um comandante da comunicão oficial do presidente eleito. Nâo havia, portanto, como não ler este "Do Golpe ao Planalto", livro de memória do meu antigo ídolo profissional. As lembranças de RK fazem reverberar na minha ótica de leitor o flash back da minha própria experiência, bem menor que a dele, infinitamente menos significativa, mas também abastecida por um certo espírito de aventura que é o que caracteriza a "vida de repórter" que, por sinal, é o subtítulo do livro: "Uma vida de repórter".

Lendo RK contando suas aventuras da Amazônia à histórica série sobre as mordominas de uma Brasília de privilégios oficiais e censurada derrada durante a ditadura militar, não tenho como não deixar de lembrar as mil e uma viagens que fiz pelo interior do RN a serviço da Tribuna do Norte, Dois Pontos, Diário de Natal, TV Cabugi. É capaz de o leitor achar que estou confundindo tempos e pessoas, hipervalorizando minha débil figura. Pode ser, mas é honesto. E se digo isso é querendo dizer que o livro é especialmente indicado para quem, como RK, como eu, como Carlos Magno Araújo, como Rubinho Lemos, foi repórter de jornal um dia. De preferência na década de 80, quando os aquários não eram tão determinantes assim, a internet ainda não havia liquefeito o que pode haver de mais sólido no levantamento e publicidade de informações e uma certa vaidade ridícula - por completamente injustificada - não havia ainda tomado conta da nova geração que nem um diploma pode mais ostentar.

O problema de "Do Golpe ao Planalto" é que o livro foi atropelado pelos fatos - por um fato, o tal escândalo do mensalão, o grande butim informativo que a gente, mesmo sabendo que não vai ter no livro, aguarda, como uma espécie de piloto automático do ato da leitura. Por RK saiu do governo pouquinho antes de o caso estourar - e a honestidade intelectual dele é tudo o que se precisa para saber um pouco mais como tudo aquilo foi acontecer, organizar um pouco as informações tumultuadas da época, compreender sem preconceitos, achar erros, desvios de conduta e possíveis alertas onde quer que eles estivessem sem a necessidade compulsiva que existe de resumir tudo a um suposto petralhismo endireitado para consumo de certa classe média ressentida com a distribuição de renda que ocorreu paralelamente a tudo isso. Mas o livro termina antes, porque a proposta de RK é cobrir o período que vai do pré-64 até o momento em que ele, exausto, deixa o Palácio do Planalto.

Para resolver o problema, ele acrescentou um pósfácio. Mas quando a gente pensa na extensão e no impacto do episódio todo - que, por sinal, ainda não terminou e está voltando à tona este ano por causa do julgamento no STF - fica com a sensação de que ele, sozinho, renderia outro livro. Só que não seria justo cobrar de Ricardo Kotscho esta nova memória, sobretudo de algo que ele não viveu efetivamente, nos bastidores do poder. A tarefa fica para outro e, não se engane, um dia alguém a realiza assim, com distanciamento, brandura e seriedade. Três elementos muito em falta quando o assunto é este.

O blues do filósofo


No post anterior, uma das músicas citadas é o "Blues da Piedade", de/com Cazuza. Aquela onde se pede, numa oração profana e musicada, compaixão para com as almas que já nascem com cara de abortadas. Pra quem tem a alma bem pequena, remoendo pequenos problemas e querendo sempre aquilo que não tem. Pra quem vê a luz mas não ilumina suas minicertezas. Essa letra poderia muito bem ser um dos antissermões poéticos e desvairadamente antirreligiosos de Zaratustra, o oráculo semissurreal criado pelo senhor Friedrich W. Nietzsche para vocalizar sua proposta de formação de um novo homem. Formação, não - descoberta, incentivo a que este novo homem, superior às cercas que detem sua própria natureza e geram toda sorte de desvios com os quais a espécie convive há milênios, bote a cara para fora e diga a que veio.

Antes de ser um discurso anticlerical caótico em seu jorro - e por isso mesmo, em grande parte incompreensível mesmo -, "Assim falou Zaratustra", o clássico da filosofia poetizada, é uma Bíblia ao contrário que, exatamente por isso, reafirma, quanto mais o nega, o caráter religioso que nestes mesmos termos insiste em ver como uma deformação do ser humano. Nada mais torto do que a linguagem enviezada de Nietzshe via Zaratustra. E por isso mesmo, nada mais aberto a toda sorte de interpretação. Esta é apenas a minha. Nâo deve ser à toa que o livro vem com um subtítulo provocador: "um livro para todos e para ninguém".

Este "Zaratustra" é bem isso: uma provocação sublime, se é que as duas coisas combinam - e combinam, percebe-se encantado ao ler suas antiparábolas tão incisivas quanto piedosas. Porque por baixo de todo aquele empurrão que o filósofo megalômano e desvairado dá na pobre criatura humana distraída à beira do abismo - nós aqui do lado de cá das páginas - existe, de maneira velada, a mesma comiseração solidária que o "Blues da Piedade" dos toca-discos dos anos 80 reverberava.

domingo, 3 de abril de 2011

Agora sim, a música do "gulira"


Hoje teve show do "Palavra Cantada" em Brasília. Eu estava lá com minha turma, rodeado por vinte entre dez famílias de classe média esclarecida. Nos divertimos bastante com as sacadas da dupla Sandra Pares e Paulo Tatit - sobretudo os pais, que a prosa musical da dupla se articula muito mais com a parte literal dos nossos cérebros crescidinhos do que com a metade direita dos infantes muitos anos à nossa frente, donos ainda que são de suas conexões supraverbais. Quer dizer: é visível que os pais adoram que os filhos adorem o jeito Palavra Cantada de apreciar música desde pequenininho.

Neste ponto, podem me caçar, podem me bater, podem até deixar-me sem um blog de poesia a mil pratas na internet, mas simpatizo um tantinho assim com Xuxa. É que por baixo da popularesca visão que se tem das antiproezas da loura, esse produto indistinto feito para as massas, desconfio de que haja na sua facilidade algo mais próximo à forma como se organizam e se manifestam os neurônios infantis. Exatamente aquela linguagem além (para ficar na crítica) e aquém (para admitir a surpresa) das palavras. Na sopa do neném há muito mais mistérios do que sonha o nosso reles nariz empinado (onde você guarda seu preconceito quando as crianças não estão olhando?). Devo estar errado, de maneira que não importa.

Importa que durante o show, diante de todo aquele bom gosto letrado - que eu também aprecio, afinal sou um pai tão esclarecido quanto os que compunham o restante do público - lembrei de outras eras, infâncias já remotas, minishowbussiness pretéritos. Claro: lembrei do tempo em que a Adriana Partimpim do pedaço podia ser um coquetel de excessos autoreferentes, uma paçoca pop-roqueira de terceira, um pastiche de tropicalismo retardatário. Eles mesmos, os cantantes da tal "música do gulira" como Bernardo me corrigiu quando tentei lhe desvirtuar as papilas auditivas em formação. Para mais esclarecimentos, veja no post de anteontem clicando aqui.

Já para conter o olhar de desaprovação diante do video em questão, não há o que fazer. Nem chamar Tarzan se usa mais, quando menos quebrar o disco no programa Flávio Cavalcanti. De qualquer maneira, se algum bom gosto há de ser salvo, que seja pela ótica documental. Autópsia audio-visual de uma era assassinada pelo nosso modernismo até então recolhido e agora subitamente destampado. O musical, extraído de algo que era bom pra danado justamente por ser desprendido como o diabo, é parte daquilo que se poderia chamar, em contexto internético atual, sem escândalo algum, de Plunct Plact Pum. Cheira mais clicando na setinha do youtube nosso de cada saudade. Tomando cuidado pra não acabar com um porre de gelo seco, dá pra sobreviver à experiência.

quinta-feira, 31 de março de 2011

No encalço de Cyntia


Todo mundo quer ir, ou vai, ou já foi, a Paris, Nova York, Tóquio (com terremoto ou sem), Berlim e Londres. A jornalista Cyntia Campos, uma baiana que instala sua moradia em lugares variados de acordo com a configuração do exercício de sua atividade – pode ser Salvador mesmo, ou Brasília, ou o Rio de Janeiro, como acontece agora – já foi a todos aqueles lugares, como todo mundo – menos eu, esse matuto imóvel como uma oiticica de beira de rio. A diferença entre Cyntia e as multidões de modernos que espalha suas pernas, malas e sacolas pelos quatro cantos consagrados do mundo é que ela vai um bocadinho além. Cyntia Campos vai a... Cartagena das Índias! Conhece?

A primeira pergunta que deve vir à mente de muita gente nem é – onde fica? Alguma coisa muito pobre perto de Calcutá? – mas outra: será que fica bem viajar para essa Cartagena... Olha lá, um lugar com um nome assim, tão... latino. Pega bem – ou melhor evitar? Cyntia Campos nem liga: ela sabe das coisas e sendo assim arruma as malas serelepe de animação quando diante da possibilidade de uns dias numa praia semidesconhecida ali na... Venezuela. Mas não confunda, que Cartegena, como você já deve estar desconfiando, não tem nada a ver com a Venezuela, e sim com a Colômbia. Matou a charada? Ora, vamos: na falta de outras referências, Catagena das Índias é aquela cidade que serve de locação para páginas e mais páginas da vida de Gabriel García Marquez em sua autobiografia “Viver para contar”. A cidade onde o autor de “O Amor nos Tempos do Cólera” iniciou-se no jornalismo”.

Tá bom: admito que não pega muito bem hoje em dia gostar do velho García Marquez, por causa das históricas simpatias do homem por Fidel Castro, que também não anda com muito ibope nos tempos atuais. Lá se foi o tempo em que caravanas de escritores e artistas brasileiros da nata da MPB contrariavam a ditadura pátria visitando a ilha de Fidel – e faziam o maior sucesso pelo fato de terem essa ousadia. Então citar o autor dos “Cem anos de solidão” hoje em dia é algo tão desagradável e malcheiroso como seria dizer, de passagem, que ainda se gosta pelo menos de algumas músicas de Chico Buarque. Apreciar Maria Bethania, então, é suicídio social certo! (se é o caso, melhor o leitor admitir que tem uma queda por parte do repertório de Fafá de Belém).

Mas agora também é fato que a postagem descambou para a paleta de mini-assuntos contemporâneos que domina vinte entre dez portais de internet. O que se queria dizer nessa conversa aqui é que Cyntia Campos tem essa mania não muito saudável e socialmente aceita hoje em dia de visitar lugares inusitados, para não usar palavra menos votada do dicionário do turismo do tipo CVC ao qual nós, gente enganchada num monte de filho e agregados, tem de recorrer. Ela viaja só, sem companhia a não ser a dela própria, e, na falta de testemunha com quem dividir o prazer de flanar pelos lugares movida apenas pelo prazer estético e sensorial que cada lugar oferece, despeja, ao voltar para casa, todo o conteúdo dessas incursões no blogue “Fragata Surprise”.

Muito de vez em quando o Sopão recomenda um novo blogue, inclui na lista de links ali ao lado e, pra marcar posição no bom sentido, bota um textinho destacando o que o internauta vai encontrar por lá. No caso de Cyntia, a Coca Cola é isso aí acima. E a recomendação, como se deduz, é pesquisar, na lista lateral, as postagens que levam a Cartagena das Índias, apenas um dos muitos lugares que constam do mapa de viagem da jornalista. Boa viagem!

Para ir direto ao blogue, clique aqui.

Chame Tarzan!


Se você tem mais de trinta anos, é bem possível que, num esforço de memória, lembre daquele tempo em que a Rede Globo produzia uns especiais infantis bons pra danado para os adultos. Não sei se as crianças gostavam, porque afinal de contas não as tinha naquela época. O fato é que nostálgicos atávicos que nem eu não resistem quando vêem nas boas lojas do ramo a reedição das trilhas sonoras daqueles já antigos petardos. Pior é quanto o cidadão realiza seu projeto pessoal de infantilização dizendo que está comprando o CD para os filhos que, além da rabugice dos pais, ainda são obrigados a levar a fama pelo gosto musical não muito recomendado hoje em dia.

Em resumo, essa história toda é pra dizer que estou eu a ouvir, deleitadamente, as firulas do velho e bom “Pluct Plact Zum”, coletânea pop-infanto-juvenil-nostálgica, quando toca o refrão daquele velho sucesso da era pré-FM, na voz coletiva do saudoso conjunto “Gang 90 e Absurdetes”:

“Chame, chame, chame Tarzan!”
“Chame, chame, chame Tarzan!”

“Será que o King Kong é macaca?”
“Que o King Kong é macaca?”

Você não se recorda? Então você é muito novo ou nova. Não lhe resta outra opção a não ser comemorar diante do espelho ou envelhecer de costas para a vaidade.

Bernardo, que com seus 4 anos a se completarem agora em maio é alguém que praticamente acabou de sair da embalagem e ainda tem cheiro de carro novo, espichou o ouvido para o refrão do roquinho inocente da Gang 90.

E eu, já tentando dirigir o futuro gosto musical do menino:

- Olhai, Bernardo, é a música de Tarzan!

E ele, refutando minha débil tentativa:

- Não, papai. É a música do “gulira”

- De quem?

- Do “gulira”!

Do dicionário de Bernardo


Por falar em Bernardo e suas denominações em andamento, tem mais uma para o anedotário caseiro. Alguns de vocês devem lembrar que ele, em idade ainda mais tenra do que a atual, cismou de beber um “suco de fumaça” que, demoramos para descobrir, trata-se apenasmente de uma boa vitamina C dissolvida no meio copo de água. Suco de fumaça! Fffffffffffff!

Pois bem, esta semana ele se saiu com outra: diante de um quitute no qual nunca tinha prestado atenção, uma reles cocaca branca mais comum do que bolacha seca do Seridó, tascou a denominação:

- É doce de farofa!

terça-feira, 29 de março de 2011

Alencar


Hoje é dia de reprise no SOPÃO, que posta novamente texto publicado neste blogue em fevereiro de 2010. É como se tivesse sido escrito hoje, a data em que o ex-vice-presidente sorridente nos deixou.

Vida Longa a Alencar

Por dever de ofício, assisto pelo menos três vezes a praticamente todas as reportagens que a TV Câmara exibe em seus telejornais. Como editor do "Câmara Hoje", que é o telejornal noturno (segunda a quinta, 21h, veja aqui), reviso as reportagens antes de elas irem ao ar, para ajustes eventuais, para distribuir os assuntos ao longo do jornal, para escrever as aberturas e outras tarefas do ramo. Depois, assisto a tudo de novo no momento mesmo em que o jornal está indo ao ar, junto com o pessoal do switcher, que é uma cabine onde um monte de técnicos atuando em sincronia absoluta leva o telejornal até sua casa. E, finalmente, vejo tudo de novo toda sexta-feira, quando minhas tardes e noites são dedicadas a revisar a versão final do programa "Panorama" que, por sua vez, é uma espécie de resumo dos telejornais da semana que está terminando. Por isso, quando chego à terceira revisão, é impossível evitar uma certa sensação de saturamento. Mesmo assim há momentos que contrariam esse enjoo visual e saltam da tela até na terceira revisão.

Semana passada, houve um desses momentos. Foi na reportagem sobre a reabertura do ano legislativo no Congresso. Depois dos discursos regulamentares, dos aplausos protocolares e das declarações habituais, a reportagem destacava a homenagem prestada no Plenário ao vice-presidente da República, José Alencar. Uma salva de palmas daquelas de arrepiar coração veio abaixo, fazendo o vice levantar algo timidadamente e agradecer se curvando, com um sorriso meio encabulado no rosto. Belo momento, para sublinhar a bela experiência que o velhinho Alencar tem transmitido a tantos brasileiros quanto sejam aqueles interessados em acompanhar sua epopéia contra sabe-lá quantos tumores.

Por sinal, um deles, parece que o maior de todos, tem diminuído, segundo as últimas notícias. Mas, de fato e no fim das contas, nem interessa muito o desempenho médico de Alencar. Interessa, comove, impressiona é a maneira mineiramente sábia como José Alencar carrega sua doença, sem demonstrar o fardo que ela com toda certeza representa, mas, ao contrário, sempre exibindo aquele sorriso que não parece combinar em nada com quem acabou de sair de uma unidade de terapia intensiva, de uma cirurgia de dez horas, de um exame nem sempre reabilitador. Alencar, com seu bom humor imune aos tumores, é um tijolinho a mais no muro de otimismo que o brasileiro vem erguendo em torno de si nos últimos anos.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Subatômica


Nenhum vidente, clarividente ou visionário enlouquecido nos porões mais fétidos da década de 80 seria capaz de prever que, em 2010, estaríamos à mercê do acontecimento que mais tememos naqueles tempos. Por quantos anos tiritamos de medo de que um dos donos do mundo, fosse na banda ocidental ou além do muro de então, apertasse o botão? Nem o mais extravagante dos astrólogos de jornal seria capaz de prever que na virada da segunda década do milênio seguinte um terremoto no Japão funcionaria como possível interruptor da grande detonação.

Eram tempos em que a gente via, nas tirinhas da revista Mad, um Reagan bobão dando a clássica balançadinha no pinto depois daquela mijada presidencial. No quadrinho seguinte, lá ia o astro-presidente-direitão apertar o botão da descarga quando, no quadrinho ao lado, explodia em gritos a humanidade inteira: “Não!” Um mero cartum desdobrado que expressava como nenhuma obra de arte os temores de então. Flagrantes ligeiros – mas, como por ironia, acertadíssimos – de um tempo em que se imaginava o ano 2000 como uma impossibilidade futurística. Antes disso, acreditávamos então com a humildade que a era atual tirou de cena, alguém apertaria aquele tal botão e tudo iria pelos ares – nossos feitos, nosso orgulho, nossos arsenais, nossos comunistas, nossos yuppies e nossa inflação, só pra fechar com um exemplo de extração mais nacional.

Veio 2000, o bug do milênio revelou-se uma bolha, por um tempo se viveu a ilusão de que a história acabara, só para 2010 nos colocar às voltas com dois dos mais sombrios fantasmas daquele passado: Kadafi, que era o Sadam daqueles tempos e andava esquecido no canto dele, e a grande explosão nuclear. Só falta mesmo o grande terremoto de Los Angeles dar o ar da graça para Hollywood suspender o gênero cinema catástrofe por absoluta falta de apelo. Nem Reagan, nem Margareth, nem Brejnev e tampouco Kadafi – quem apertou o botão foi essa entidade de rosto, RG, nação e mandato indefinível a que uns chamam de acaso, outros de Deus, terceiros de Jeová.

Ou por outra, se não é o caso de livrar a nossa cara botando a culpa no todo-poderoso, fomos nós mesmos, a humanidade inteira e não um mandatário em particular, ao tratarmos o planeta como a lata de lixo resistente à nossa infinita capacidade de usar e jogar fora, tanto no sentido material como no emocional mesmo.
De uma maneira ou de outra, não se sabe quem está prestes a botar o dedo naquele lugar proibido. Só podemos especular, sem chances de certezas – o que só reafirma o tamanho da nossa dimensão tantas vezes hipervalorizada.

Feito para lembrar


Recomendado por dez entre dez ansiosos candidatos a pioneiros do bom gosto, ainda que seja o gosto médio, é o CD de estréia do músico, compositor e agora também cantor Marcelo Jeneci, “Feito para acabar”. Um disco certamente superestimado, embora seja agradável como afinal de contas se propõe – e se o incensam além de seu alcance não deve ser somente culpa dele. O disco está sendo vendido nas mais sofisticadas publicações que mais dia menos dia estarão embalando peixe como o mais vulgar dos jornais de província como o petardo pop convencional de um cara que não se furta a fazer música inteligente embora ligeira. E com influências que vão da velha Jovem Guarda até uma coisa meio Arnaldo Antunes.

Então a gente pega o disco na loja, leva pra casa e de cara, logo na faixa de abertura, vem uma batidinha eletronizada que lembra aquele antigo teletema, um clássico menor do cancioneiro de novela dos anos 70. E a voz que se ouve, além de um Marcio Greyck meio cool, que é como soa à primeira vista o cantor Jeneci, é a de sua partner meio Evinha (o Google e o YouTube podem ajudar os mais jovens a saber quem são esse Márcio e essa Evinha). O tecladinho segue marcando bem direirinho o ritminho da canção e só faltam mesmo as palmas do auditório. Mas é tudo muito cantarolável e enganoso, porque, como se verá adiante, tem coisa melhor por baixo desse creme de galinha de festa de fim de ano em família.

Marcelo Jeneci, o cara que foi do acordeão às bandas de estrelas da MPB e descambou neste seu primeiro CD tão festejado realiza no disco sínteses tão improváveis quanto efetivas – se ninguém fez antes é porque o preconceito auditivo falou mais alto. E isso ele tem a favor dele: a coragem de, embora soando às vezes meio distanciado como uma performance do Los Hermanos, não esconder ou até explicitar que deseja ser ouvido com a avidez fiel que os fãs de Odair José um dia devotaram ao autor da música da pílula. E o CD “Feito pra acabar” realiza isso em faixas e mais faixas que lembram casamentos inesperados. Há músicas em que temos a nítida sensação de estar ouvindo um dueto de Jorge Ben Jor com Padre Zezinho. Outras que dão a impressão de ser a trilha sonora de um caso secreto entre a bossa nova e aquele gênero de música para lual que deu fama ao sulista Armandinho. É Rumo com Roupa Nova, Titãs com Leonardo (ele mesmo, que gravou, em formatão mainstream, a mesma “Longe” incluída aqui no CD), Lulu Santos com vanguarda paulista. Raul Seixas com Chico Cesar.


Mas o filé – inesperado filé pela qualidade potente da composição e pelo painel vasto traçado no espaço exíguo de uma canção popular, como só em felizes ocasiões acontece – está na faixa “Por que nós?”, composta por Jeneci em parceria com Luiz Tatit (eu disse que o perfil das parcerias, reais e sugeridas pelo disco, é surpreendente). Com a leveza que caracteriza o conjunto, esta faixa isolada encara um assunto bem sério: o contraste entre o mundo que vivemos e fizemos durante um passado ainda recente, coisa dos anos 70 e 80, e a tecnotroglodítica vida consumocompetitiva que está em vigor hoje em dia. Sem saudosismo fácil, é uma bela olhada no retrovisor tentando divisar fronteiras que infelizmente foram atravessadas com uma pressa que a gente não precisava ter. E como dói. Segue boa parte da letra, que diz tudo e merece leitura atenta:

“Éramos célebres líricos / Éramos sãos / Lúcidos céticos / Cínicos não / Músicos práticos / Só de canção / Nada didáticos / Nem na intenção / Tímidos típicos / Sem solução / Davam-nos rótulos / Todos em vão / Éramos únicos / Na geração / Éramos nós dessa vez / Tínhamos dúvidas clássicas / Muita aflição / Críticas lógicas / Ácidas não / Pérolas ótimas / Cartas na mão / Eram recados / Pra toda a nação / Éramos súditos / Da rebelião / Símbolos plácidos / Cândidos não / Ídolos mínimos / Múltipla ação”


Links do Sopão:

Para ir direto ao original e ouvir Márcio Greyck de uma vez por todas no site oficial do cantor, clique aqui.
Para visitar ouvir "Por que nós?" e outras faixas do disco de Marcelo Jeneci, clique aqui.
Para vestígios perdidos da cantora Evinha, o atalho é aqui.

Cinemania


Há certo tipo de livro que a gente leva meses e meses lendo, por vários motivos. Porque se trata de livros enciclopédicos, que pedem tempo, paciência e degustação lenta. Porque a gente tem medo de acabar logo de uma vez e ficar com saudade quando chegar à última página. Porque o conteúdo é tão instigante que não dá pra ler sem parar um pouco aqui e ali para absorver melhor o que diz uma frase, um parágrafo, um capítulo. “Grandes Filmes”, o segundo volume de estudos sobre filmes feitos pelo crítico Roger Ebert, lançado pela Ediouro, é um desses livros. Não é nem mais uma novidade nas livrarias, mas aqui em casa continua nessa condição, já que se trata de um desses livros que se lê lentamente – até se abandona uns tempos, enquanto se aprecia outras leituras – até que chegamos à última resenha. Mesmo sem chegar a este ponto, adianto, pra degustação do leitor do SOPÃO, trechos de alguns dos estudos de Ebert, esse apreciador de cinema que não torce o nariz para títulos como “Alien”, embora obrigatoriamente tenha na sua carta de preferidos clássicos como “Amacord”.

OO7 CONTRA GOLDFINGER

Bond é um arquétipo tão persuasivo que seria um sacrilégio alterá-lo.


ALIEN

Uma versão dessa história, hoje, se deslocaria depressa para a parte em que o alienígena salta sobre os membros da tripulação. Hoje, os filmes violentos, do gênero ficção científica e outros, são cem por cento barganha e zero construção. O que o público aprecia não são os golpes cortantes, mas a expectativa desses golpes. Sinais, de M. Night Shyamalan, reconhece isso e pouco se importa com seus alienígenas.


AMADEUS

Não se trata de uma vulgarização de Mozart, mas um meio de dramatizar que os verdadeiros gênios raramente levam a sério a própria obra, porque esta não lhes demanda esforço. Grandes escritores (Nabocov, Dickens) fazem suas obras parecerem brincadeiras. Escritores menos brilhantes (Mann, Wolfe) fazem-nas parecerem esforços hercúleos. Salieri suava e se esforçava ao máximo para produzir pouca música: Mozart compunha com tamanha facilidade que “a música parecia lhe ser ditada por Deus”, segundo uma queixa de Salieri.


AMACORD

O filme retrata “memórias” de memórias, transformadas pelo afeto e pela fantasia e muito valorizadas pela narrativa. Fellini reúne as lendas de sua juventude onde todos os personagens parecem maiores e menores que na vida real – atores brilhando em seus palcos particulares.


BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES

O cinema de animação era considerado um entretenimento infantil, seis minutos de gags envolvendo ratos e patos, antes do cinejornal e do filme principal. Branca de Neve demonstrou que a animação poderia libertar um filme da armadilha de espaço e tempo; que brevidade, dimensão, limitações físicas e regras de movimentos poderiam ser vencidas pela imaginação dos animadores.


OS BRUTOS TAMBÉM AMAM

Se introduzirmos Freud nesse filme, descobriremos toda sorte de possibilidades, como quando o recém-chegado vai à taberna vestindo roupas pouco viris e é insultado e castigado pelos brutamontes até sacar a arma e provar que é melhor.


OS IMPERDOÁVEIS

Se o western não tinha morrido, estava morrendo; o público preferia ficção científica e efeitos especiais. Era hora de uma elegia.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Olivia, Cacaso e um caso de amor em Natal


"Corte brusco: Natal, RN. Lá, vive uma conhecida muito querida da gente lá de casa que um dia, na rua, talvez numa manifestação pública como aquelas que não se realizam mais, os tempos são outros, o individualismo venceu, nossos heróis morreram de overdose, pois bem, nossa conhecida viu de longe, ou ao longe, como soa poeticamente tão mais antiquado quanto melhor, um certo poeta local calçando sandálias e meias. Sim, leitores, sandálias de couro com meias do tipo soquete, se é que é assim que se diz. Numa cidade quente como Natal, numa tarde abafada como devia ser aquela, e o poeta de sandália de couro com meia branca, um visual bem pouco comum na deselegância discreta da poetagem em geral da cidade Natal. Apaixonou-se a nossa conhecida. De cara, ali, no ato. Dizem que o diabo mora nos detalhes, pois neste caso pode-se dizer que é a paixão que neles reside sem pagar aluguel."

Leia o texto completo clicando aqui.

sábado, 12 de março de 2011

Oh,Ana


Quem diria, seis meses atrás, que a crise que marcaria os primeiros 100 dias do futuro governo Dilma estaria no Ministério da... Cultura! Nem nos embates com o PMDB - a posição do partido na votação do salário mínimo desmoralizou dez entre dez analistas políticos da imprensa escrita, televisada e internetizada - nem nos constrangimentos diante dos evangélicos de extração medieval e tampouco frente à economia propriamente dita, que a grita diante dos cortes no Orçamento é como uma crítica do PSDB que se autodesmente (como é que um partido tão partidário de restrições de gastos e investimentos públicos pode criticar cortes, me explique quem puder).

Bom, na falta de uma inflação realmente aterrorizante - e diante de um pibão que a imprensa registra com cara de criança mimada que não quer dar o braço a torcer - e outras catástrofes governamentais tão esperadas, sobrou a pobre da... cultura. E parece que não poderia haver ninguém mais apropriado para ancorar essa crise inexistente nos demais prédios da Esplanada dos Ministérios do que a pobre da irmão de Chico Buarque. Trato a ministra assim porque é assim, pejorativamente assim (houve um tempo em que ser irmã do Chico Buarque seria um elogio automático), que ela começou a ser tratada tão logo teve seu nome anunciado. A revista "Veja" meteu-lhe na cara duas páginas daquelas ultraeditorializadas com pitadas de rancor e doses cavalares de ressentimento vindo não se sabe bem de onde. A ministra nem tomara posse e já foi tachada de, no máximo, "irmã do Chico Buarque", como se esse fora o maior dos defeitos que um ser humano pode ter. Nem de "filha do Sérgio Buarque" a criatura teve a piedade de ser chamada. Era ruim, péssima, infeliz escolha só por aquele outro predicado. Uma raça condenável a priori pela Veja, a dos irmãos, filhos e netos do autor de "Vai Passar".

Parecia o anúncio antecipado do que viria a seguir. Mas o que veio a seguir complicou um pouco mais as coisas. Caímos todos, Ministério e seus expectadores, jornalistas e ativistas culturais, majors da música e alternativos da mais tenra indigência criativa, na vala de um debate que parece tragar a todos sem explicar bem o que se passa a ninguém. Ecad, Criative Common, anteprojeto de lei do direito autoral, Emir, autistas e afins parecem legumes a girar no caldeirão de uma sopa confusa, pastosa e de sabores variados dependendo de quem dela vai se servir a título de degustação ou como último recurso para matar a fome.

Para além da crise em si, que existe de verdade e envolve correntes de pensamento político dentro do governo embora às vezes pareça só uma projeção dos debates virtuais na internet, há uma grande falta de comunicação. Um grande "e eu com isso" escrito numa faixa visível somente aos olhos do brasileiro em geral e pendurada no alto do primeiro prédio daquela rua tipicamente brasiliense chamada Esplanada dos Ministérios. Nem os ativistas da liberação mais do que compreensível dos conteúdos que caem na grande rede virtual conseguem se fazer entender - e parece que não pretendem mesmo ir além do muro do gueto de bits e bytes - nem a ministra parece ter a capacidade de colocar as coisas nos seus devidos lugares, justificar de maneira acessível suas decisões e chamar a atenção da população em geral para o problema, angariando alguma adesão. Não precisa nem botar Emir Sader nesse balaio, que o problema começou bem antes.

Oh, sim, o nome da ministra é Ana. Ana de Hollanda, com o perdão do sobrenome.