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domingo, 6 de julho de 2008

Parceria, segundo Walter


"A parceria nem sempre se dá ao nível de estar trabalhando juntos. Ela se dá também por notas comuns. Às vezes, eu faço um plano num filme meu e penso no Bressane, ou no Beto Brant, ou no Luiz Fernando Carvalho, ou no Waltinho Salles. Penso: ele vai olhar e se lembrar de mim, porque eu estou vendo ele aqui, nesse plano. A parceria se dá também pela ausência."


Falou Walter Carvalho, fotógrafo de "Lavoura Arcaica" (na foto, Raul Cortez no filme de LFC). O irmão do documentarista Wladimir de Carvalho dirigiu, em experiência solo, a transposição para o cinema do livro "Budapeste", de Chico Buarque, em fase de montagem.

Fotogenia, segundo Walter

"A fotogenia é o que agrada ver. Eu acho que, na fotografia de cinema, ela não deve ser um objetivo. Pelo menos pra mim não é. Nem sempre o plano que conta, expressa, revela, comove, transcende, é belo. No entando, tem uma força ali dentro, inesperada. Muitas vezes a força do que contém aquilo enquanto expressão é maior do que a fotogenia. Os documentários estão repletos disso."

P.S: "Amarelo Manga" e "Baixio das Bestas", filmes do pernambucano Cláudio Assis, comprovam as palavras de Walter Carvalho, que fotografou o primeiro.

Pintura e cinema, segundo Walter

"Um Caravaggio não tem significado pra mim por causa da luz. Não vejo por aí. O que vejo é que há uma narrativa, uma teatralidade, um pensamento, um discurso prictórico. E o cinema é exatamente isso"

P.S.: Giovanni Sérgio (a quem agradeço pela presença no lançamento de "O Poema do Caminhão") chamaria tudo isso de "um propósito", como constatei certa vez numa conversa em casa de beira de mar.