segunda-feira, 7 de abril de 2008

A marca de Charlton Heston




Olha os neurônios acordando! Bastou botar eles para lavar o rosto nas águas do blogue de Luiz Carlos Merten para os bichinhos estabelecerem as primeiras conexões do dia. O crítico do Estadão fala um pouco sobre Charlton Heston e lista os principais filmes de que o Moisés de celulóide participou ou estrelou. Lendo os filmes citados, me dei conta de que não lembro de Charlton Heston em "A Marca da Maldade", um primor que Orson Welles dirigiu mas, como tudo o que fez depois de "Kane", ficou em segundo plano. Não deveria: "A Marca da Maldade" é um noir esplêndido, embora breve (ou vai ver que tal brevidade apenas lhe favorece a qualidade), onde brilha o rosto e a expressão de uma Marlene Dietrich inesquecível. E se eu não lembro de Charlton Heston no filme - putz, acabo de lembrar, e não é que ele é o protagonista? - certamente tal falta de memória se deve à intensidade do brilho dela, Dietrich. A memória se agitou, lembrei nesse instante mesmo que Heston é o americano meio perdido numa trama complicada na cidade mexicana na fronteira com os zéua, acompanhado por Janet Leigh (aquela do chuveiro de Psicose, sim). Mas, homenagens póstumas à parte, "A Marca da Maldade" que ficou foi mesmo a da cara de sapo de Welles como um policial corrupto e a face de Dietrich como uma dama misteriosa, fumando sua piteira e exalando suas maldições de poucas e demolidoras palavras.

Fora isso, lembro, sim, muito bem, de Heston como o herói do primeiro "Planeta dos Macacos", montado no cavalo, com a morena na garupa e a ruína gigantesca da Estátua da Liberdade ao fundo - e areia, muita areia em redor de tudo. Imagem que o canhão da infância dispara sem dó nem piedade. Merten ainda fala de outro filme com Heston que a minha memória seletiva também se nega a processar. É "Da terra nascem os homens", belo título de um - disso lembro, da impressão geral - belo filme, meio épico, meio anti-épico, um western filtrado ao drama. E finalmente, claro, deu vontade de ver "El Cid" - nunca vi, se você também está nesta condição, saiba que não está sozinho - e rever "Ben-Hur" na idade do DVD. Só não deu vontade de (re)ver o filme de Michael Moore (que eu comprei, não sei pra quê), que pega o Moisés pra Cristo. A campanha contra a fixação do americano médio pelas armas era justa mas realmente Michael Moore passa da medida.


* O link para Luiz Carlos Merten: http://blog.estadao.com.br/blog/merten/

3 comentários:

Moacy Cirne disse...

"A marca da maldade" é uma obra-prima; Heston aparece muito bem como o seu principal ator. Lembro-me vagamente de "El Cid", que vi no Rex, em Natal, se não me falha a memória. E você tem razão: Moore exagerou.

Francisco Sobreira disse...

Tião,
"A Marca de Maldade" é o melhor filme de Welles, depois de "Cidadão Kane". E foi também o melhor filme de Heston,cujo talento interpretativo era limitado, a meu ver. El Cid" é muito bom, apesar de um tanto longo. Nunca me entusiasmei pelo western de Wyler, que me parece superestimado. Não conheço o filme de Moore. Grande abraço.

roberta ar disse...

Faço coro e digo que a Marca da Maldade é daqueles filmes que vi muitas vezes. Concordo plenamente com o que você disse do Michael Moore, já nem consigo mais ver seus filmes todos iguais em que o personagem principal é ele mesmo.
Heston não fez nenhum personagem que tenha me marcado, vou lembrar dele pra sempre como o cara da associação de armas (nem sei o nome daquilo)