sábado, 7 de fevereiro de 2009

Caderno de férias (Acari)

A rua da Matriz é um caldeirão quente e seco; Acari está pegando fogo. Mas como as crianças se divertem. Bernardo sobe e desce ladeira, Cecília reza na cartilha da tia e da prima. Não tem festa, mas nem por isso falta agitação. Segue a música de caminhões e ônibus subindo e descendo na artéria que corta o lugar, a caminho ou retornando de Natal, Caicó ou Campina. Breve jogaremos nosso barco nessa correnteza, no roteiro que escrevemos para os vinte dias de férias.

Roteiro que responde à dúvida de Nossa Mana. Sim, haverá tempo para os amigos, mas como sempre a temporada se divide em três etapas. Primeiro, o impacto da chegada, a ansiedade de ver tudo e nada, o abraço sentimental da família. Depois a profundidade do interior nas entradas e bandeiras do Seridó, âncora depositada no fundo das gargantas do Acari – e que é a presente estação da viagem. Por falar nela, está prevista uma noite inteira a ser minunciosamente passada em casa plantada à beira da barragem - o que promete render um Gargalheiras de postagens. Depois, o retorno a Natal para aí sim botar a cara fora da janela do Guaíra e rever a moçada. Daquele jeito de sempre, com um olho na conversa e outro na rede dos meninos em casa.

Se bem que, este ano, incluímos um apêndice no roteiro. Já que é quase carnaval, cismamos de dar uma escapulida até João Pessoa, aquela Brasília silenciosa à beira do mar, e Recife, para a semana pré-folia. Uma vez, Cecília com seis meses, fomos a Recife dias antes do carnaval e nossa garota virou, por uns belos vinte minutos de vida, a mascote de um bloco-pré nas ladeiras de Olinda. Considerando que Bernardo é uma criança com propensões bem maiores ao exercício da folia, quem sabe o fenômeno não se repete agora com ele? Na volta, a gente conta como é que foi.

Na bagagem, vai um tesouro encadernado. É o exemplar de “Prelúdio e fuga do real” editado pela Fundação José Augusto em 1988 e que eu finalmente adquiri – aquele livro que a gente lê emprestado dos amigos e sofre na hora de devolver, e depois quer comprar um exemplar pra ficar olhando só pra ele, mas a edição está quase no fim, fica difícil, então, encontrei esse Cascudo literato na galeria do Centro de Turismo e tratei de me garantir. Breve, volto ao assunto que por enquanto é um deleite de leitura poético-especulativa.

Também vou me distraindo com o sempre esnobe, mas sempre divertido e articulado Ruy Castro e seu “Tempestade de ritmos”, aquela seleta de textos em que o jornalista nos escraviza com seu texto e usa o manejo mais inteligente das palavras para nos fazer fãs daqueles de quem ele, sobretudo ele, é um admirador incondicional. Ainda bem que, esnobismos intelectuais à parte, ele tem bom gosto. Também volto ao assunto, haverá tempo.

Pra encerrar, duas perguntas: onde está o amigo residente em Natal que ainda não descolou seu próprio exemplar do CD da Rosa de Pedra? E o que faz, perdido entre esquinas visíveis e invisíveis, o amigo residente em Brasília que ainda não comprou, por módicos R$ 13,90, o “Kind of blues”, o mais festejado disco da história do jazz. Onde? Ora, na velha e boa Discodil, Conjunto Nacional, em frente à praça de alimentação. Só é preciso paciência para encontrar Miles Davis entre CDs de Mastruz com Leite e Mução. Mas a dica é certeira e o “Sopão”, admita, é uma mãe.

Um comentário:

ana sua mana disse...

recado recebido. aproveitem bem os passeios. e aguardo notícias quando voltarem pra cá.