sexta-feira, 27 de junho de 2008

Noite boa

Foi bonita a festa, pá. Velhos amigos que há tempos eu não via apareceram, como Augusto (Lula), Rosalie e Bartolomeu, Virgínia e Heverton, Vânia Marinho, Tácito, Alex de Souza, Leônia, além de outros que aqui e ali a gente força a barra e dá um jeito de rever sempre, como Ana Luisa (Nossa Mana), Carlão e muitos outros, sem falar nessas figuras que fazem aparições ocasionais na vida da gente mas de cara provocam uma empatia que é que como se todo mundo se conhecesse há tempos. Nessa categoria, posso citar Moura Neto e Alex Nascimento. Também conheci gente nova, como Sônia e Márcio (Simões), gente de quem desde sempre muito ouvi falar mas nunca havia conhecido assim de pertinho, como Ada, a menina gauche que vai filtrando as profecias do poeta - e essa tarefa não é pra qualquer um, visto que o tal poeta é um especialista em desidratar palavras e produzir finos tomates secos em forma de versos.

O poeta, por sinal, vale um parágrafo à parte. É claro que me refiro ao amigo Adriano de Sousa que, ao lado de Flávia, botou na cabeça de inventar uma nova editora, imaginou um esquema fabril de pequenos catecismos mimosos, preenchidos pela lavra de estreantes, e botou na praça os três primeiros volumes das edições Flor do Sal, felicíssimo nome. Adriano estava feliz, sem pudor, com a gente quer vê-lo se possível o ano inteiro - mas a gente não é doido e sabe que ninguém se mantém naquele em êxtase fraternal o tempo inteiro, sob o risco de pasteurizar as emoções e achatar a própria humanidade. Dito isso, como estava feliz, boa prosa e até gozador - o alvo das piadas, claro, fui eu, mas não reclamo - naquela noite. Pelo jeito, editar livros faz mais bem a Adriano do que escrevê-los; compreendo perfeitamente, embora a gente não possa dispensar os petardos que de vez em quanto o compadre coloca na praça.

O resto é a síndrome de pânico normal nessas ocasiões que, tenho certeza, a neofotógrafa Flora documentou muito bem com aquela arma letal voltada para a minha direção, lentes assustadoramente arregaladas para meus ombros cada vez mais curvos. Ainda bem que Ada, na mesa ao lado, era matéria muito mais interessante para as artes da fotografia. E eu só não fiquei mais intimidado porque Márcio Simões, o companheiro da outra mesa, pelo que vi, está plenamente habilitado a disputar comigo o título de anti-escritor do ano no quesito exposição pública. Titina também deu um jeito na minha maquininha furreca e tirou um punhado de fotos. Assim que chegar em casa, despacho o primeiro lote pra vocês verem como foi a noite no bistrô de Petrópolis, noite de clima estranho, ventinho frio, quentura morna quando a aragem se ausentava. Mas com um bando de amigos por perto, podia nevar que todo mundo iria se sentir devidamente aquecido.

Antes de encerrar, um registro imprescindível que é também uma forma de agradecimento: Vicente Serejo, com quem eu não conversava desde os distantes tempos de repórter no Diário de Natal, ajudou a acalmar meu liquidificador interno assim que cheguei para o lançamento dos livros. Ficou batendo papo comigo, enquanto eu me aclimatava, numa conversa boa sobre gente que pensa o Brasil, jornalismo público, José Dirceu e outros temas que rendem uma bela troca de idéias.

3 comentários:

Moacy Cirne disse...

SE EU ESTIVESSE EM Natal, certamente teria ido ao lançamento dos livros de vocês...

ada disse...

Sebastião, noite muito boa mesmo. Ótimo conhecer vc (Márcio eu conhecia dos corredores da UFRN), depois de um tempo lendo silenciosamente seu blog (risos).

Grande abraço!

Ada

roberta ar disse...

Sou fã dessas iniciativas, pequenas editoras que conseguem trazer algo novo no meio "dos de sempre". Muita vontade de ver a edição do seu livro, trouxe algum extra pra Brasília?