sábado, 24 de maio de 2008

Bernardo, 1 ano


A gente chamava ele de "número dois". Porque, de certa maneira, a gente achava que ele, por chegar em segundo, iria ser aquela figura menos notada, aquela continuação natural da vida, um habitante a mais do nosso coração que, embora amado e sobretudo muito amado, não teria o mesmo impacto inicial proporcionado por Cecília. Pois Bernardo, em um ano de vida completado no último dia 19, já desmanchou caprichosamente, palavra por palavra, letra a letra, cada uma das frases acima. Não sobrou nadinha dessa expectativa que sobreviveu apenas nos três primeiros meses. Rapidinho, o "número dois" mostrou a que veio. E que, hoje, ninguém venha com numeração que ele chuta o pau da barraca e constrói uma nova matemática na nossa pequena mas feliz vida familiar.

Bernardo disputa pau-a-pau com Cecília a atenção da gente, andou em menos tempo que ela (11 meses), já acorda discursando (ou será cantando?) seus fonemas infantis, como quem treina para logo-logo expressar em palavras o que ele já diz perfeitamente com aquele olhar incisivo. Os olhos grandes falam, gritam, reclamam, imploram. Tadinha de Cecília que, fomos descobrir somente meses depois, pega muito mais leve quando quer algo e ainda tem que aguentar irmão-pentelho, teimoso e insistente metendo a mão nos brinquedos dela - mentira, é ela quem rouba os deles e depois reclama quando ele se apossa.

Comemoramos esse primeiro ano, vimos amigos que há tempos a gente não encontrava, mostramos o bravo Bernardo para todos, corremos de um lado para o outro pra tudo dar certo - uma porção de coisas não deu mas a certa altura a gente também não se importou -, e ainda tiramos uma casquinha de Tia Sandra, que passou uma longa e divertidíssima semana aqui em casa preparando docinhos para Bernardo, Cecília e quem mais guarda na boca o sabor de uma velha infância.
E assim Bernardo passou da sua primeira marca nesta corrida de obstáculos que nós, adultos, tão bem conhecemos. A gente vai indo, tentando preparar o atleta em formação para ele ter a elasticidade que esse mundo maluco exige, mostrando que as provas não são fáceis, mas também deixando claro que é preciso saber enxergar o que o campeonato tem de estimulante. Para ele se sair tão bem quanto possível em quadra, mas também ter um olho atento para as belezuras que o observam da arquibancada - seja na geral ou nos camarotes. E vocês dividindo com a gente o prazer de jogar as partidas da vida. Salve Bernardo!

2 comentários:

sandra disse...

tia achei lindo o que vc escreveu ,so que na verdade quem tirou uma casquinha dos sobrinhos queridos fui eu titia sandra

rosa disse...

É isso aí, Bernardo: crie seu espaço e bote pra quebrar.Mas é só uma expressão, viu?

Tá lindo!