sábado, 14 de novembro de 2009

Albimar, Ana e eu


Na próxima terça-feira, 17 de novembro, começa a circular em Natal um novo jornal, cujo nome é este mesmo, "Novo Jornal", e que, por acaso, será também uma nova oportunidade para os leitores deste blogue passaren alguns minutos do seu dia na minha, estimo, agradável companhia. Acontece que o "Novo Jornal" terá um espaço diário, imagino que nos últimos cadernos, onde cinco jornalistas poderão discorrer sobre os temas que julguem valer a pena, num revezamento com dias fixos. Um deles serei eu, às terças-feiras. E o negócio já começa na base da maior responsabilidade, porque, se você leram com atenção o início deste texto, notaram que a primeira edição do jornal a ir às bancas é justamente a de uma terça-feira. De maneira que, para o bem ou para o mal, serei o primeiro.

Estou meio ansioso, mas contente e animado. Sobretudo, estou orgulhoso. E o motivo desta postagem, além de naturalmente avisar ao pessoal que vou estar cometendo textos por lá, é explicar onde o orgulho entra nessa história. Acontece que, entre os seis titulares deste espaço, que vai se chamar justamente "o jornal de fulano" (e onde está fulano é só cravar o nome do titular do dia) estão duas figuras entre as quais eu nem em sonho imaginei estar assim, lado a lado, dividindo a mesma tarefa, o mesmo espaço: Albimar Furtado, o "Branco", e Ana Concentino. Os dois foram meus professores na Universidade Federal do Rio Grande do Norte quando eu sequer imaginava que poderia trabalhar num jornal diário. Coincidentemente, os dois davam aulas juntos - sim, os dois professores com a mesma turma, na mais emblemática disciplina deste curso hoje tão desvalorizado, e que se chamava, quem é do ramo vai lembrar com saudade, TPDJ - ou Ténica de Produção em Jornalismo (esqueci a que o "D" se referia). Era a matéria que nos transformava efetivamente em repórteres - a parte mais técnica do curso, o aprendizado mais direto, uma espécie de semente em volta da qual vinha a epistemiologia toda, tão igualmente necessária como fica claro hoje em dia.

Ana Cocentino era uma professora dedicada e estimulante, do tipo que dizia pra gente ao final da aula: "Agora vamos lá, pessoal, ler muito jornal, ver muito noticiário de televisão, muita revista, muita reportagem." E Albimar, o "Branco" como a gente era doido para ter o direito de chamá-lo (era o apelido dele nas redações onde a gente ainda não tinha passe para estar), fazia mais: sacava quem no meio da turma tinha realmente jeito para a coisa e dava um jeito de a gente ir parar no lugar com o qual a gente mais sonhava - a redação de um jornal diário, pra valer. Foi assim que saí do jornal "Dois Pontos" (um antigo semanário, e como custa classificá-lo assim) e fui para a reportagem da "Tribuna do Norte", trabalhar sob o comando de Albimar, o editor-geral do jornal. Com ele, aprendi, na base do enxerido que ficava olhando de longe como é que os caras trabalhavam, como valorizar as fotos da primeira página: não esqueço da foto dupla de Rosa, acusada de mandar matar o marido, com duas expressões durante e ao final de seu júri popular; fotos escolhidas e cotejadas por Albimar. Com ele, tive o prazer de me sentir valorizado ao cobrir, absolutamente novato, o incêndio que destruiu uma sapataria na calma noite provinciada da Natal daqueles tempos - Albimar esperando o texto para colocar na primeira página que ainda estava fechando na última hora. Como o "Branco", entendi instintivamente os caminhos que a busca por informações nos leva a percorrer, quando tentava de toda maneira, num outro plantão noturno, arrancar dados sobre uma senhora que ganhara na loteria e em torno da qual, numa casa do Alecrim, uma corrente de filhos marmanjos montara um muro humano de proteção (mas, na base da conversa fiada, deixaram escapar o suficiente para a matéria publicada na capa da Tribuna pelo mesmo Albimar confiante).

E eis que agora, tantos caminhos depois, várias redações deixadas para trás, até um certo desencanto com os rumos que tomou esta prática e seus praticantes, surge o convite para participar desse espaço no novo jornal. E, por fim, vem a lista com os "colegas", onde estão Albimar e Ana, meus professores. É como fechar um ciclo, com um discreto sorriso de satisfação no rosto. Agradeço ao amigo Adriano de Sousa, que foi quem teve a temerária idéia de me botar no meio desse pessoal - mas só ele mesmo, um outro professor, embora informal, de um outro momento desta minha vida de escrevinhador de jornal e noticiário de televisão, para fazer isso por mim. Só espero estar à altura, deles e de vocês que porventura lêem o Sopão e igualmente porventura queiram um pouco mais: a idéia é enxergar o dia-a-dia natalense sob a ótica de quem não está lá o tempo todo - ver de longe, com distanciamento mas, já acrescento, com um pouco de doçura, que a vida não está fácil e a gente não precisa tornar as coisas ainda mais penosas. Para vocês terem uma idéia, o primeiro texto fala do meu amor por Natal - que, imagino e digo lá, pode ser que tenha muito mais a ver com o seu, que mora na cidade, do que a gente imagina à primeira leitura.

Espero, mais uma vez, a companhia muito estimada de vocês.

7 comentários:

Ana Luiza disse...

estou louca pra ler, sebá. beijim.

Inácio França disse...

Tião,

orbigado pela visita ao Caótico. Não conhecia teu "Sopão", mas vou inclui-lo nos meus links também.

No próximo final de semana estarei aí em Natal paa o aniversário de dois dos meus sobrinhos.

abraço

Inácio

rosa disse...

també estamos ansiosos, Sebá.

seja bem vindo às páginas que circulam por aqui!

bj

ana sua mana disse...

p.s.: cê sabe, mas não custa dizer, né? a ana luiza aí de cima sou eu mesma, ana sua mana.

Titina disse...

Tião, eu como cunhada e fã estou ansiosa pra chegar terça, ir na banca e comprar esse Novo Jornal. Que bom ter textos seus publicados na terrinha. Isso muito nos alegra.
È isso, estou contente com a novidade e desejo vida longa ao projeto.

Gustavo disse...

Que maravilha Tião, parabéns pela "volta" ao impresso.

p.s. O "D" em questão é Difusão. Técnica de Produção de Difusão Jornalística. TPDJ...

Sérgio Enilton disse...

Senhor Tião,

Sou fã de sua publicação através do blog Sopão que está inserido nos meus favoritos. E, parabéns pela iniciativa brilhante. É nos ofertar uma canja sadia de cultura. Um banho de caldo com letras comestíveis. Sucesso... Novo jornal.
Sérgio Enilton(Acari-RN)