Mostrando postagens com marcador Brasilzão Entreblogues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasilzão Entreblogues. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de março de 2010

Para refletir (Entreblogues)


"A preocupação de Lula com o hipotético estudante que, daqui a trinta anos, se debruçará sobre mentiras quando folhear o noticiário dos grandes jornais, não só tem fundamento como deveria preocupar os historiadores. Afinal, qual será o valor dos nossos periódicos como fontes primárias de consulta? Em princípio, nenhum. Salvo se a pesquisa for sobre o discurso noticioso e os interesses mais retrógados."


Palavras do sociólogo Gilson Caroni Filho, nas páginas da agência Carta Maior. Leia o texto completo clicando aqui.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Olho vivo (Entreblogs)

A análise abaixo está no site Carta Maior e merece ser lido e relido. Como se conclui dessa leitura, é importante desde já manter os olhos e ouvidos bem abertos para a forma como os grande veículos de comunicação tratam temas que tangenciam não as atuais eleições - aquelas que, coitadas, já demos como perdidas - mas a próxima, a grande eleição de 2010.

Serra e a blindagem da TV Globo

Por Gilson Caroni Filho

A cobertura dada pela TV Globo ao confronto entre policiais civis e militares, nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, foi um show de culinária. Não bastasse o silêncio durante a tarde, a edição de 16/10 do Jornal Nacional se esmerou em cozinhar textos de uma só fonte para oferecer um produto pouco informativo, incompleto e sem qualquer rigor na apuração. Entende-se. A correta contextualização dos fatos poderia arranhar a imagem do governador José Serra. E de um modo de governar que tem na incapacidade de negociação o DNA tucano.

O interessante é que não estamos diante de um caso isolado ou de falha provocada por profissionais inexperientes e/ou incompetentes. Muito pelo contrário. Mais uma vez, a emissora da família Marinho, reuniu a nata da casa, para subordinar o exercício do bom jornalismo, e as responsabilidades a ele inerentes, ao projeto eleitoral do consórcio PSDB/DEM.As imagens de um conflito em que foram utilizadas bombas de gás lacrimogêneo, munição convencional e de borracha foram ao ar acompanhadas do texto que melhor convinha ao "padrão Globo" de divulgação de notícias. Para o telespectador, a intransigência tinha um só lado: policiais, sindicalistas e partidos políticos, com destaque para o PT, é claro. Não havia greve que se arrasta há um mês e muito menos uma categoria que tem a média salarial mais baixa que o piso de 11 estados. A registrar, uma disfuncão, nada mais.

O que Perseu Abramo destacou como “padrões de ocultação", fragmentação" e "inversão" foram a tônica de um noticiário mais empenhado em evitar desgaste de Serra na véspera do segundo turno das eleições municipais do que explicar os motivos que levaram a barbárie a tomar as ruas paulistanas.

Microfones abertos para o principal personagem a ser blindado e sua versão pautou a cobertura. O relato da emissora serviu como narrativa de corroboração“O governador José Serra disse que o protesto foi feito por uma minoria e que é ilegal. “Essa manifestação reuniu, no máximo, 1.000, 1.200 pessoas. A Polícia Civil tem 35 mil efetivos. Trata-se, portanto, de uma minoria. Muitos dos participantes não são da polícia, são de outros sindicatos, da CUT e da Força Sindical. Há partidos políticos por trás”. Serra também criticou o uso de armas pelos manifestantes. “Armas são entregues às polícias para defenderem o povo contra os criminosos. Não para servirem a movimentos políticos reivindicatórios. Reivindicação se faz na mesa conversando, não com violência. Isso nós não aceitamos”.

E se tivesse havido diálogo, a crise teria chegado a esse ponto? Confronto entre policiais não aponta para crise institucional? Será isso o que estamos vivendo no Estado mais rico do país? Onde ocorreu embates envolvendo forças de segurança antes? Em Belo Horizonte, há 11 anos. A que partido pertencia o então governador de Minas, Eduardo Azeredo? São questões por demais delicadas para que o jornalismo global possa fazer qualquer aprofundamento.

Mas o "melhor", em matéria de manipulação, estava guardado para o dia seguinte. Na edição de 17/10 do Bom Dia Brasil. Com ar contrito, o jornalista Renato Machado anunciou que "A população de São Paulo assistiu atônita a mais um exemplo da crise que assola a segurança pública no Brasil”.

A nacionalização do conflito esclarece o planejamento da agenda. Como no Brasil? É em São Paulo, e sob as ordens de um governador do PSDB, que polícia atira em polícia. Essa é uma anomia exclusivamente tucana. O ato falho talvez tenha revelado o que a emissora antecipa para 2010.

P.S: O link para outros textos da Agência Carta Maior está na lista ao lado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Entreblogues - É assim que eles vêem a gente


Um "Entreblogues" de leitura obrigatória para quem divide com o Sopão a indignação com o abuso em que se transformou a opinião na imprensa brasileira: é a análise atenta que nosso amigo Carlos Magno Araújo, do Diário de Natal, fez de artigo publicado na Folha de S. Paulo. O assunto do artigo é a eleição do potiguar Garibaldi Alves para a presidência do Senado e, por extensão, do Congresso Nacional. Carlos Magno jogou a rede e arrastou um cardume de preconceito em forma de palavras. Na mosca. A leitura é um pouco extensa mas vale cada palavra, cada vírgula. Vejam, vejam (primeiro a análise de Carlos Magno e depois o artigo publicado na Folha):

Garibaldi e o preconceito

Tenho a maior boa vontade em entender que é papel da imprensa investigar a vida de quem está prestes a assumir cargos públicos importantes,como acontece agora com Garibaldi Filho, alçado à presidência do Congresso ao final de um processo longo e tumultuado que transformou em esgoto a casa que alguns de seus colegas chamaram um dia, quase candidamente, de Céu. Resguardando a privacidade a que qualquer um tem direito, e zelada a ética, considero que é papel da imprensa fazer, sim, essa fiscalização, e não somente balançar a cabeça, com aquela complacência cúmplice que em muitos casos e em muitos lugares costuma marcar a cobertura política. Ou seja, respeitando a regra, vale tudo, até dançar homem com homem e mulher com mulher. Esse pouco caso com o noticiário mais profundo e detalhado, digamos assim, já nos trouxe surpresas demais – Renan foi só a mais recente delas. Em resumo: levantar a biografia daqueles que cumprirão papel importante, sim. Espezinhar, abusar, aproveitar uma situação para tentar extravasar preconceitos incontidos, não. Não defendo Garibaldi. Acho até que sua trajetória política precisa ser exposta. Afinal, ele estará ali presidindo o Congresso e, queiram ou não aqueles que não votaram nele no estado, estará representando este RN de meu deus. Mas não dá para ler o artigo da página 2 da Folha de São Paulo de hoje, de Fernando de Barros e Silva, sem notar um ranço perverso de preconceito. E daí que Garibaldi parece uma figura extraída dos programas de Chico Anísio ou se assemelha ao célebre Odorico Paraguassu, da Sucupira de Dias Gomes? Se tentou colar a imagem de Garibaldi a desses personagens que fizeram/fazem parte da ficção nacional e até se incorporaram ao anedotário e ao subconsciente político, Barros e Silva poderia ter sido menos hostil. O argumento sugerido por ele, o de que o Garibaldi que esteve à frente da CPI do Fim do Mundo é bem diferente desse agora, aliado do governo, dá até pano prá manga, mas a imagem que o articulista usou pareceu criada para exalar o futum do preconceito. O noticiário da Folha, pelo menos ontem, pareceu repetir o ranço do colunista.


E agora o artigo a que Carlos Magno se refere:


Prafrentemente, pratrasmente

(Fernando de Barros e Silva)


Sai Renan Calheiros, entra Garibaldi Alves. É o PMDB em campo, com a bola cheia, cadenciando o jogo maroto do "governo popular". Finalmente abatido em seu vôo (embora absolvido pelos pares), o neopredador das Alagoas cede espaço ao coronel potiguar, representante do velho patrimonialismo a que Lula tem rendido tantas homenagens e dado tantas condições de doce sobrevida. Quando a gente não pode fazer nada, avacalha. O célebre bordão do "Bandido da Luz Vermelha", anti-herói consagrado pelo filme de Rogério Sganzerla, tem trânsito fácil no Brasil. Por que não estendê-lo à crônica política? A mim, por exemplo, que não posso fazer nada, Garibaldi Alves sugere algum personagem cômico -qualquer um- de Chico Anysio. Escolha qual você, leitor, que também não pode fazer nada. Ou estaremos diante de um novo Odorico Paraguassu, o prefeito da eterna Sucupira de Dias Gomes, alçado ao topo do Congresso Nacional? "Prafrentemente", apenas suspeitamos no que isso vai dar, mas "pratrasmente" o currículo de Garibaldi não edifica a vida republicana. É irônico, mas esclarecedor, que nosso artista estivesse há apenas dois anos à frente da chamada CPI do Fim do Mundo, aquela que se alimentava dos restos das outras e resultou numa espécie de sopão dos detritos do governo Lula, mas também do Senado. A troca de lado e o exercício de papéis antagônicos num intervalo tão curto servem como estudo de caso sobre o caráter político do PMDB. Mas também o deste governo "popular". Geddel, o arauto da democracia, que o diga. E por falar na velha senhora, Rodrigo Maia, o jovem presidente do DEM, nos desafiava ontem em artigo na página 3 da Folha: "Democratas, sim, e daí?". Adorei o -"e daí?". Só mesmo o bom PFL faria pastiche da retórica da rebeldia e da afirmação adolescente da identidade ao defender o lugar-comum da democracia. Ficou com cara de tiozão.


Como dizia o poeta, os senhores tirem as suas conclusões. E o link para o blogue de Carlos Magno, abrigado no portal do Diário de Natal, há tempos já faz parte dos "outros pratos" do Sopão, ali ao lado. Pra ler mais, é só clicar.